Vocè é responsável pela merda que aí está (e que vai acontecer)
- Rodrigo Contrera
- 17 de jul. de 2018
- 2 min de leitura

Nos últimos anos, tem aumentado significativamente a expressão de posições políticas pela sociedade brasileira em geral, em especial nas redes sociais. Isso reflete em parte a situação calamitosa da política e da economia, assim como a aparente falta de alternativas, à direita e à esquerda. Pois os arremedos de novos nomes são apenas em geral mais do mesmo.
Mas não me deixo levar por esse aparente aumento da atração da política por gente que não ligava para o que acontecer. Pois sei bem que na hora do vamos ver são os efetivos valores da vida que conduzem as atitudes, não aquilo que se fala da boca para fora. Tô cansado de ver gente que fala uma coisa, e faz outra. Ou que não fala nada e quando no poder vira ditador/a.
Neste panorama em grande medida polarizado, com candidaturas à direita que parecem ameaçar as instituições (Bolsonaro, por exemplo) e à esquerda que ao menos as questionam (Lula, por exemplo), é fácil assumir lado, seja qual for o argumento na mão ou o acontecimento pontual que atiçam as emoções. Hoje é ainda a prisão de Lula e as tentativas sorrateiras de deixá-lo livre para marcar posição na eventual candidatura à Presidência.
Estamos praticamente em agosto, e as eleições são em outubro. Nessa perspectiva, surgem poucos fatos novos que sugerem uma mudança do panorama. Quem se definiu por um candidato, continua firme na intenção, e quem permanece indeciso ensaia aqui e acolá um outro arremedo de posição, mas que não permanece. Enquanto isso, o Congresso se comporta como sempre, corporativista ao extremo, e tudo parece conduzir a uma solução radical. À esquerda ou à direita, tudo parece assumir ar de radicalismo. Mesmo quando candidatos mais de centro crescem nas pesquisas, a intenção é sempre jogá-los contra a parede para escolherem de que lado do espectro estão.
Nesse contexto, penso em quando participei de pequenas demonstrações de política em âmbitos fechados. Penso no comportamento de gente que gritava, que se manifestava, que queria solução de seus problemas específicos, e que na hora em que tudo se definia ia para casa para descansar e fingir que não era com ela. Esse tipo de coisa, porém, não creio que agora vá acontecer ao Brasil após as eleições. Muito ao contrário, percebo que por detrás das manifestações políticas que nos invadem há um caráter mais intenso, de continuar lutando por bandeiras que, se se entronizam como solução, por outro lado excluem a outra parte do espectro. A política virou uma luta de gangues com seus apoiadores e com caráter de regime de exceção. O negócio parece agora ser jogar para fora do jogo aquele que nos incomoda.
Independente então de quem se arvore presidente, o maior risco parece ser mesmo esse. Numa sociedade historicamente massacrante como a brasileira, a ideia agora parece ser dar um ar de legitimidade a uma exclusão maior, de índole democrática. As perspectivas, claro, não são nada boas. Ilude-se quem vê tudo andando sem imaginar a merda que pode acabar resultando de tudo isso. Ocorre que agora todos são corresponsáveis por isso. E ninguém conseguirá ir para casa tranquilo/a ver o culto ou programa de tv preferido achando que não tem nada a ver consigo mesmo/a.




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