Uma breve experiência sobre o ponto de vista militar
- Rodrigo Contrera
- 25 de jul. de 2018
- 2 min de leitura

Os âmbitos militar e civil se excluem mutuamente. Isso por definição, valores e práticas. Isso nós sabemos desde que nos acostumamos a ver generais e gente com índole militarizada, diametralmente oposta a pessoas de índole civil. Inclusive quando a política termina costuma-se dizer que a guerra começa, e assim por diante.
Minha experiência com o aspecto militar vem desde a infância. Assisti a um golpe de Estado quando tinha 6 anos de idade, e acostumei-me a identificar o militar como algo hierárquico pouco disposto a conversa e portanto a negociação. Mas recentemente, em virtude de muitos motivos, o aspecto militar tem vindo mais à tona no Brasil sob intervenção no estado do RJ.
Mas, para muitos caberia pensar, como afinal são os militares? Eles são isso mesmo, refratários a conversa, a argumentos, a negociações? Será isso mesmo? Claro, muitos fazem serviço militar, mas relativamente poucos são os que seguem carreira. E quando seguem se calam. Passam a fazer parte de um mundo fechado.
Em 2009, eu ganhei uma condecoração militar. Lembro-me bem. Eu havia sido convidado a visitar as instalações do Exército em Taubaté e ali estando fiz uma matéria longa sobre como a instituição lidava com os materiais cobertos por minha revista. O meu principal entrevistado mexeu os pauzinhos e eu acabei sendo galardoado com a distinção. Fui até lá exclusivamente para a cerimônia, que foi bastante pomposa.
Durante a feitura da matéria, e ficando amigo da minha fonte, pude perceber que havia ali naquele quartel, de alto rendimento, uma característica que eu já havia visto na vida civil. Uma espécie de compadrio que fazia com que a politicagem rolasse solta, com que os apaniguados merecessem os melhores postos, e com que o mérito em geral passasse para último plano.
Não estranhei. Percebi que tudo no fundo era bastante parecido com a forma de vida a que me acostumara em minha vida pregressa. Algo aparentemente distinto do que poderia imaginar. Mas não me surpreendi, afinal. Pois em virtude de toda nossa história é a cultura que manda em nós, mais do que nós na cultura. E os hábitos de apadrinhamento, compadrio e ausência de mérito são tradicionais, então.
Não se espantem, então, se ao vermos os militares adquirindo cada vez mais espaço no âmbito civil alguns costumes antiquados também virem à tona. Será natural, muito pouco benfazejo, mas natural.




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