Sobre os desafetos que publicam asneiras
- Rodrigo Contrera
- 4 de set. de 2018
- 2 min de leitura

As redes sociais têm trazido muita coisa boa à vida das pessoas. Mas também trazem alguns efeitos deletérios ao convívio social, especialmente no âmbito político (e por ocasião destas eleições). É o surgimento de muitos formadores ou deformadores de opinião que confundem o panorama do bom senso com opiniões que disfarçam preconceitos de baixo nível, questionamentos de má-fé, absurdos retirados de mentes deturpadas, etc.
Já se fala desses sujeitos e moças há muito tempo. Desde que as redes começaram a ter maior alcance. Mas pouco se faz contra essas pessoas, que simplesmente fazem uso de suas liberdades de pensamento e opinião e que, por serem mais espertas do que a maioria, dificilmente são alcançadas pela lei. São répteis, que não falam direito a que vêm, e que simplesmente se escudam em suas liberdades para subrepticiamente passarem o seu recado.
Ontem peguei uma dessas pessoas, que não cito aqui. Estava com uma frase citada por um divulgador de mensagens de direita. Mas não era uma frase claramente de direita. Ela questionava, e deixava no ar o problema. Entrei em seu perfil, e lá estava a frase, quase imediatamente sendo xingada por partidários da esquerda. Reparei nas outras frases do perfil, e senti um cheiro de enxofre no ar. Quase literalmente. Percebi que o sujeito era escroto, e excluí.
Convivi por vários anos com familiares de direita, no Chile. Eles eram, pessoalmente, gente mais ou menos boa. Mas vez ou outra comentavam assuntos com ironia. Eram sujeitos e moças e mulheres que um dia iriam apoiar o regime de Pinochet, que aliás morava lá naquelas bandas. A ironia deles era do mesmo tipo deste sujeito. Pessoas que complicam a conversa com algo que deixa uma sensação de dúvida no ar, e que com isso apostam numa forrma enviesada de ver o mundo. Meu pai se deixava levar ao menos um pouco por eles. Ele também usava dessa artimanha retórica.
Sou um fruto de formação filosófica. Fiz curso na USP, onde o foco está em saber ler. Muitos dos que se destacam atualmente fizeram o mesmo. Por isso, me acostumei a ler textos clássicos que nos captam a atenção e a alma por meio desses artifícios. Muitos deles viraram clássicos por isso mesmo, por, com raciocínios enviesados, criarem mundos de argumentação que fizeram história. Hoje o mundo está mais agitado. Esses argumentos aparecem mais facilmente, talvez de forma mais tosca, mas tão sutis quanto os que vemos nas leituras clássicas.
É preciso por isso aprender a saber ler. É preciso entender que a política é feita em grande medida por esses frutos de má intenção. Notem, meus familiares eram racistas (literalmente - chamavam os negros de negróides), meus familiares gostaram dos assassinatos em massa do golpe de 1973, meus familiares não ligaram para o fato de Pinochet saquear o Estado chileno, muito ao contrário. É preciso saber com quem a gente anda, realmente. Até em termos virtuais.




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