Serviço público - A incompetência raiando o absurdo, quando se alastra
- Rodrigo Contrera
- 26 de jul. de 2018
- 2 min de leitura

Vez ou outra, chegam até mim, em mais de centenas de grupos de que participo, imagens paradas ou mesmo vídeos de destratos em instituições de serviço público. Muitas vezes, há avisos de que as pessoas que postam as imagens deveriam ter cuidado, pois podem levar ação judicial contrária. Normalmente, as imagens vêm de cidades menores, na região Sul ou mesmo no Estado de São Paulo (onde moro).
Já fui maltratado em lugares como esses, especialmente hospitais. Mas não irei entrar em detalhes nem no mérito. Irei me focar em casos de gente que se caracteriza por incompetência mas que, pasmem-se todos, faz carreira e se aposenta.
Lembro-me em especial de um professor meu na época da faculdade. Um sujeito que todo mundo já esqueceu, e que falava sobre revistas - área em que acabei me especializando. Um sujeito alto, calado, irônico, que falava generalidades quaisquer e que ninguém levava a sério. Lembro-me também de outro colega dele, um sujeito reconhecido, que chegou a chefe de departamento e diretor, que tinha alta produção de livros em que ele normalmente se remetia a reuniões, congressos e coisa e tal. Um sujeito que até mereceu um livro em sua homenagem. Livro que eu tenho.
Pego então dois casos, em ambiente similar, um deles absolutamente incompetente e outro que para outros é considerado competente, até exemplar. Mas o que eu gostaria de abordar aqui é o seguinte: esses casos são de gente que, para os padrões do mercado, é incompetente, sim. E gente cujos trabalhos não são questionados, jamais, em nome de um corporativismo que raia o absurdo. Por que isso?
Há uma espécie de acordo tácito entre esse tipo de gente. Uma espécie de acordo segundo o qual ninguém comenta o mérito um do outro. Uma espécie de assunção de que fazer isso é colocar a todos em risco, até mesmo a instituição. Uma espécie de sentimento de mediocridade generalizado, em que o questionamento pode colocar em risco a própria existência. Uma ausência também de accountability, ou seja, de responsividade às demandas dos alunos, da comunidade ou mesmo da sociedade, num ponto de vista mais alto, mais elevado. Pois sendo assim essas pessoas entram nos seus lugares, fazendo tudo de forma bastante mediocrizada, e não são questionadas jamais, nem mesmo quando se aposentam. Por vezes, são até objeto de elogios. Claro, porque não abriram a boca, e não se deixaram questionar em suas limitações. De pouco faz efeito que essas instituições sejam bem consideradas por outros âmbitos. É preciso lidar com a mediocridade, até o ponto da ausência de limite.
Lembro-me daquele primeiro professor, e do seu jeito, tranquilo e medíocre. E do segundo, do seu jeito aparentemente enganador - que jamais me enganou, no fundo. Lembro-me com bastante amargor e até raiva, porque fizeram com que o ensino tivesse tido aquele clima de altos e baixos que nunca me convenceu, e que me mal formou. Pois eu sou no fundo fruto disso, desse silêncio, dessa incompetência regada com o dinheiro de todos.




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