Porque fui criado em meio a jogos políticos, durante a faculdade
- Rodrigo Contrera
- 28 de jul. de 2018
- 2 min de leitura

Nasci em 1967. Nesse sentido, vivi os anos 80 e 90, na plenitude da adolescência e começo da idade adulta, embebido da política pós-ditadura ou regime militar. Vivi essa época fazendo jornalismo na USP, e sendo mais ou menos influenciado por gente (professores e alunado) que tinha lugar bastante bem definido. Mas eu não tinha esse lugar. Eu era mais aquele sujeito que passa e pode levar um rojão na cara.
Pois vivemos atualmente outra época. Uma época em que os lados parecem estar bastante bem definidos, da direita e da esquerda, e em que gente de um lado reconhece gente do outro só de olhar, de ouvir, de divisar a roupa ou a forma de falar. Pois nessa época em que cresci isso ainda não estava tão claro. Pois todos pareciam contra o mesmo inimigo - a ditadura -, e todos também pareciam do mesmo lado. Claro que isso era besteira.
Eu nunca fui de direita, até porque meu perfil era de classe média baixa. Mas meus ideais eram (e ainda são) de alguém que acreditava na ordem, no progresso, na meticulosidade, no trabalho, enfim. Por outro lado, também nunca fui de esquerda, por ser individualista, ao invés de coletivista, por acreditar na livre iniciativa ao invés de nos sindicatos, e por ter uma visão de mundo atomizada, ao invés de coletiva. Por outro lado, eu tive familiares e gente próxima de classe baixa, e sempre gostei deles, de todas as formas. Meu carinho pela pobreza é enorme, embora hoje seja de classe média baixa mais ou menos remediada.
Nessa época de faculdade, todos queriam o apoio da gente. Lembro-me de um dia ir numa passeata, mas de me sentir como massa, e portanto de refugar. Lembro-me de ter participado de algo de uma campanha para presidente, para o PT, mas de não sair convencido disso. Porque eu queria um ponto determinante, e não apenas passar panfletos. Fui convidado a participar da discussão do programa presidencial, mas ali mesmo entendi o que era estreiteza mental de gente do partido (PT), mais especificamente de representantes do partido hoje esquecidos. Sempre tentaram angariar meu apoio e minha energia para ideais com os quais eu não concordava necessariamente.
Pois hoje percebo como a política em si é manipuladora. Como as pessoas envolvidas escondem o jogo e só querem você quando a questão é beneficiá-las. Como a maior parte das pessoas fica no meio do caminho, envolvida em ideais que mal reconhece ou com que mal concorda. Pois ainda bem que eu me envolvi pouco. Depois, já bem mais velho, participei de conselhos, mas também ali provei o sabor amargo de se saber carta fora do baralho. Pois não me arrependo por outro lado. Participei tanto quanto pude. E nunca me traí. E quem me traiu, bom, sabemos que está sujo no pedaço. Seja de qual lado estiver assumindo. Está sujo.




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