Por que a mídia é a grande responsável pelo perigo dos extremos?
- Rodrigo Contrera
- 21 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Quem acompanha os debates e entrevistas presidenciais já sabe que o Brasil corre novamente o risco de ter que passar por um plebiscito entre movimentos ligados ou próximos ao PSDB e ao PT. Mas nesse panorama aparece também um fator novo: o medo dos extremos, tanto à direita quanto à esquerda. Em todos esses casos, lideranças carismáticas parecem aglutinar preferências de certa parcela do eleitorado com base em chavões e tentações autoritárias. Nisso podemos incluir Bolsonaro e Boulos. Os entendedores sabem que em ambos os casos há riscos à democracia.
O que poucos compreendem é o papel que a mídia desempenha em alimentar esse tipo de liderança. Um papel que está bem longe das mídias sociais, como muitos imaginam, e que está mais ao alcance do cidadão comum, que vê tv aberta e que conhece apenas alguns poucos comentaristas de sucesso (que sempre aglutinam para si diversos meios).
A mídia é a grande responsável pelo perigo dos extremos porque simplesmente não explica ao eleitorado potencial em que consistem essas lideranças e essas falsas opções. Ao contrário, desenvolve a mesma narrativa dos interessados, a um lado e a outro, e não consegue sair do maniqueísmo que alimenta todas essas candidaturas. Sabemos, por exemplo, que Marco
Feliciano era uma presença menor até que a mídia o elevasse ao seu lugar atual fingindo combatê-lo. Sabemos também que a mídia dá destaque a Bolsonaro com base em factóides, e que não aprofunda o debate sobre o que ele realmente significa. A foto da criança fazendo gesto de arma é um bom exemplo. Mídia séria não daria tanto destaque ao gesto.
Os jornalistas também fazem sua parte, ao praticamente desconsiderarem o real estado da economia e ficarem presos em ilações mercadológicas que somente interessam aos marqueteiros das campanhas. Evitando enxergar o real, os jornalistas esvaziam o debate, que continua dessa forma dominado por chavões e frases coletadas aqui e acolá. Os jornalistas fazem isso por ignorância e em parte por má fé. Tanto que por vezes são desautorizados pelos próprios entrevistados, e têm que amargar o papel de coadjuvantes na defesa da opinião pública.
Nesse panorama, personagens menores acabam adquirindo dessa forma reputação de formadores de opinião, e às pessoas em geral só resta mesmo o apelo a gestos, frases, lemas, e coisas do tipo. O que representa um sujeito como o Cabo Daciolo, por exemplo? Que interesses ele representa, ou defende? A mídia parece não dar importância a nada de sério, e fica com as frases de efeito que sujeitos quase doentes como ele jogam nas redes sociais. Isso significa, em suma, que todos nós ficamos sujeitos a riscos enormes por pura incompetência daqueles que deveriam nos representar: os jornalistas.




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