Partido Novo e Amoêdo: um liberal que esconde o jogo, dizendo o contrário
- Rodrigo Contrera
- 2 de set. de 2018
- 3 min de leitura

Irei analisar brevemente, neste meu blog de política e marketing, algumas das candidaturas mais chamativas que têm aparecido nos últimos meses, focadas na eleição presidencial. A primeira delas, que vem chamando muito a atenção, é a do candidato João Amoêdo, do Partido Novo.
Amoêdo é um sujeito antigo no ambiente público e privado. Ele fez carreira no meio financeiro, e está presente em movimentos com figuras públicas bem conhecidas desde a década de 90. É um sujeito muito rico, que se aproveitou de fusões e criações de bancos, e que portanto sabe como tirar proveito do sistema em seu favor pessoal.
Seu ideário atrai quem ficou para trás na promessa de capitalismo que o PSDB encarnou temporária e parcialmente na década de 90. Atrai quem também não consegue ver rumos para um Estado perdulário e ineficiente, e que não cai nas loas de quem promete aumentá-lo ainda mais - com a desculpa de tratar de uma população carente. Mas atrai também quem não acredita num nacionalismo pujante, comandado pelo mesmo Estado que critica. Em suma, é liberal.
A mensagem do Novo é portanto bem antiga. Os personagens, a começar pelo Amoêdo mas passando por Gustavo Franco, são também conhecidas. Isso sem contar antigos sócios de Amoêdo no ambiente financeiro. Mas ele passa uma imagem de novidade. Por quê? Amoêdo parece navegar por fora. Não aceita o Fundo Partidário. Não está aberto a qualquer tipo de conversa. Tem um ideário fechado e aberto como todo o ideário liberal sempre foi. E por causa disso admite que não tem com quem se coligar, ao menos automaticamente.
Mas uma forma de descobrir como é alguém ou uma instituição muitas vezes não está naquilo que esse alguém diz. Mas naquele que esse alguém odeia, que quer exterminar. Isso fica claro em momentos-chave, quando Amoêdo diz que a legenda do PT deveria ser cassada. Ele diz isso, sim, mas não como principal bandeira. Ele diz como um desejo escondido, como uma espécie de apanágio de forma de se livrar da maior concorrência. Claro que ele não pensa o mesmo de um PSDB, ou outra sigla.
Vou agora fazer uma espécie de prognóstico daquilo que o Novo quer. Vejamos. Ele almeja alcançar o degrau máximo. Ele almeja ser puro sangue, ao menos enquanto isso acontecer. Ele pretende permanecer dessa forma, fazendo pequenas alianças, para conseguir aprovar uma agenda. Nesse entretempo, ele pretende usar as instituições para expulsar os concorrentes estatizantes. Com isso, ele vai alargando as mensagens, e se aliando àqueles que fazem o seu início, os bancos, o sistema financeiro e o sistema produtivo. Isso para aumentar sua hegemonia de fala em meio aos 27 milhões de empreendedores do Brasil. A roldão, ele acaba com a estabilidade do funcionalismo, acaba com as estatais, diz jogar o jogo sujo da política a escanteio e transforma o país num grande Chile.
A política normalmente ocorre por movimentos internos e fisiológicos ao centro, assim como por movimentos os extremos que se tornam cada vez mais centro. O Novo sai do centro, dizendo ser liberal moderado em costumes mas de ideário extremo, para tentar açambarcar o todo por meio de questionamento das instituições com sinais de suposto puritanismo, quando no fundo espera convencer a sociedade de algo que é contra aquilo da qual alimenta os estratos mais pobres. Uma receita bem conhecida, que tem pelo menos o mérito de ser explícita (ao menos em parte).




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