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O que, afinal de contas, aconteceu no primeiro debate presidencial na Band?

  • Foto do escritor: Rodrigo Contrera
    Rodrigo Contrera
  • 11 de ago. de 2018
  • 4 min de leitura


Vivemos uma época em que todos tentam se aproximar o máximo possível de uma conclusão adequada sobre a multiplicidade de fatores que afetam eventos complexos. As redes de tv, os meios digitais, todos, tentam concluir a partir de centenas de milhares de inputs e nós parecemos nos satisfazer com isso. Os candidatos mais procurados durante o debate, antes e depois, os temas mais pesquisados, etc. Tudo parece convergir numa busca única: é assim que ocorre a realidade.


Dias após o debate, o que mais vejo nas redes sociais são memes ridicularizando trechos do debate, ou outros posts reproduzindo trechos de alguns candidatos, para perpassar impressões de autoridade, ou de já ganhou. A maioria dos posts são de jovens aparentemente interessados por política ou de gente mais humilde que tenta se entronizar como dona de algum tipo de verdade. Tudo muito discutível.


Vi o debate somente ontem e hoje, aos poucos, no vídeo que restou no Youtube, e que tem no total mais de 4 horas. Ao contrário de outras entrevistas, este debate eu acompanhei com um pouco mais de paciência, pois sinceramente não suporto alguns daqueles personagens. Pelo menos desta vez as intervenções eram limitadas no tempo, e eu não tinha que me sentir explodindo por dentro. Fui notando as limitações assim de um e de outro, e entendendo mais ou menos bem o panorama geral. Isso, independente desses dados sem conta que os estatísticos adoram sair exibindo como se fossem representativos de alguma verdade. Noto os perfis dos jornalistas que interferiram no debate e também nenhum deles me causou qualquer impressão.


Direi agora o que achei do contexto final, e espero com isso escapar daquilo que outros podem ter dito ou estar dizendo.

Houve um tom de esperança por parte de todos. Algo de que fazem uso para encamparem algum tom de verdade por cima das generalidades que falaram, em sua maioria. Mas a impressão geral, nisso tudo, foi de que houve aqueles que se mantiveram isolados, em suas diatribes, e outros que pareceram dialogar mutuamente. Boulos, por exemplo, permaneceu o tempo todo isolado nas suas bandeiras. Marina não pareceu falar nada de concreto, por outro lado. Tirando o que trocou com Ciro a respeito da obra de transposição do São Francisco, nada dela pareceu algo além de carta de intenção. Sabendo que ela não tem quase bancada no Congresso, isso lhe retira qualquer credibilidade efetiva. Pouco importa que Boulos tirasse sarro dos outros, com os 50 tons de Temer. Pouco importa que ele falasse para o coração de mulheres que querem decidir o destino de seus corpos. Ele simplesmente estava isolado. Marina, também. Política, todos sabemos, é a arte da conciliação. Isso significa que são, politicamente falando, cartas fora do baralho.


Indo para o espectro mais centrista, Álvaro Dias, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Ciro Gomes se destacaram por tentar atribuir um caráter mais gerenciador ao perfil do novo presidente. Nesse perfil, o único que elencou dados mais concretos e que se dispôs a solucionar problemas claros foi o Ciro. Alckmin, o chuchu de sempre, tentou o tempo todo desmerecer as críticas que seu partido recebe, atribuindo um papel racional á sua fala. Com isso, até defendeu-se de representar o que há de mais atrasado na política brasileira, e que está aí. Meirelles posou de técnico que já fez algo de bom nos governos retrasados, e tentou o tempo todo se desvencilhar da imagem de representante dos opressores. Álvaro


Dias repisou da mesma forma falas de entrevistas anteriores, dialogando com gente mais esclarecida. Sempre querendo posar de algo diferente. Ciro foi quem se destacou mais, nesse contexto, chegando até a trocar boas figurinhas com Bolsonaro. No contexto geral, as candidaturas de centro cresceram, assim. Enquanto as mais à esquerda permaneciam isoladas, os centristas dominaram o tom. Um tom xoxo, murcho, mas mesmo assim o tom predominante.


Nesse contexto, os autoritários, representados por Bolsonaro e Daciolo, permaneceram à margem. Bolsonaro, falando bem de si mesmo, e respondendo assertivamente às perguntas, mas sem contudo acrescentar quase nada de novo. Ouvi-lo uma vez é o que basta para quem quer entender o que pretende. Daciolo foi o palhaço do evento, soltando diatribes que fizeram a gente pensar estar assistindo reunião de conselho de condomínio pequeno ao invés de um debate presidencial. Mas isso aqui mal importa. A direita extremada, mantida ao longe do debate que mais importa, parecia uma intrusa, como todos seus eleitores, que parecem querer nos fazer esquecer que vivemos numa democracia. Esse caráter de isolamento intrusivo desses autoritários é que dá um certo receio. Já comentei em outro lugar que é disso mesmo que o fascismo se aproveita.


Seja como for, bandeiras de costumes não se fizeram notar excessivamente no debate. Nem quando Bolsonaro foi provocado (a meu ver, injustamente) pelo Boulos. Sabemos bem que os extremos se tocam, por isso o que foi mais relevante, a meu ver, foi o crescimento do espaço do centro. Discordo de que os xingamentos ou acusações foram poucos/as. A meu ver, eles foram apenas polidos/as.


Pelos dados apresentados, ficou claro que o país está quebrado, que não dá mais para apoiar medidas para estratos beneficiados, especialmente políticos, que o espaço de manobra para agir é extremamente apertado, que a ordem será a mudança de regras para fazer o país funcionar, e que portanto terá maior possibilidade de sucesso o político de centro que conseguir negociar melhor. As saídas autoritárias, à direita ou à esquerda, isolam os políticos e os momentos respectivos, e não prometem nada de bom para o todo. Para ambos esses lados, as saídas propostas são de ruptura. Ou seja, não se pode esperar algo de bom nesse sentido.


Mas, e o PT? Pois é. A candidatura mais forte de todas, a de Lula, está de fora do pleito. Nem o Boulos se apresentou representando algo em seu sentido (muito ao contrário). Indo de contramão ao debate, o PT fez outro debate, apenas entre os amigos. Isso demonstra que a cisão entre os extremos (menos a direita) e o centro promete aumentar. Logo comentarei o programa do PT, mas analisando aqui a impressão geral sobre o debate e o isolamento relativo dos extremos (direita e esquerda) dá para compreender que, se a opinião do eleitorado for por opções extremas, não se avizinha um bom panorama no contexto geral. Contrariamente àquilo que outros opinaram, para mim o debate pode ter sido o prenúncio para uma quebra de diálogo entre centristas e extremos que, num país em quase convulsão social, pode ser bastante perigosa.

 
 
 

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