O politicamente correto e os politicamente incorretos
- Rodrigo Contrera
- 31 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Tenho sido abordado por pessoas que fogem do perfil que a esquerda gostaria que tivessem. Negros que questionam as cotas. Negros que pensam de forma exata, e que não entram na lide daqueles que esperam um melhor lugar ao sol por meio delas.
É curioso, porque isso se dá de forma enviesada. Uma moça me parou no ponto de ônibus e perguntou sobre um livro de filosofia moral. Falei para ela em que ele consistia, e aos poucos a conversa foi tomando o rumo das cotas raciais e indígenas.
Ela, que poderia muito bem ser beneficiada com elas, não parecia muito convicta de seu fundamento filosófico e político. Depois, até questionou a forma como muitos classificam Bolsonaro de racista - até porque sabemos que ele é boquirroto e que a esquerda adora isso - e adota como defesa.
Ela então pegou o ônibus e fui abordado por um rapaz que faz estágio em engenharia de produção. Falamos sobre as eleições e ele avaliou o cargo da Presidência de forma exata, percebendo que o presidente é apenas mais uma força num leque que inclui um legislativo mutante.
Foi então que eu peguei meu ônibus. E que fiquei com a imagem dele, como um sujeito de índole exata, que não parece esperar um espaço especial por causa de sua cor de pele e passado de escravidão. Percebi que ambos, a garota e ele, não são o tipo de eleitorado que se convence com a argumentação que os beneficia. Talvez eles até nem gostem dela.
É curioso, porque pode-se argumentar que eles poderiam ter orgulho das origens e de suas particularidades. Mas eles parecem não querer ser diferentes, ao contrário, parecem querer ser iguais. Ou seja, não querem um espaço específico. Eles não carregam o peso dessa luta.
É bonito ver como a juventude assume os ares de liberdade de pensamento mesmo quando poderia se beneficiar de algo que vem de longe. Por outro lado, é curioso como as jogadas da política não conseguem prendê-los em jogos coletivos. Quanto mais aprendo, mais percebo como todos no fundo são livres - mesmo que possam lucrar mais entrando no jogo dos outros.
Deixo claro que não estou sendo contrário às cotas. Estou apenas notando um fenômeno de liberdade que escapa das discussões do politicamente correto.




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