O Messianismo na religião e na política
- Rodrigo Contrera
- 29 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Este blog é sobre política, então falarei sobre religião brevemente apenas com o intuito de fazer uma analogia.
Converti-me recentemente ao catolicismo. Foi um processo longo. Faço catequese (sou catequisando) e faço, convidado, leituras da Bíblia aos domingos em minha igreja.
Assistindo às missas, um aspecto em especial me incomoda sempre que ocorre. É quando o padre diz, com ênfase, a seguinte frase: "pode acreditar", "tenha certeza", "confie". Eu, que sou bastante aguerrido em minha fé, entendo o que ele diz. Mas há uma espécie de tom de promessa nisso que me incomoda. Como se o artifício retórico tivesse ou só pudesse mesmo ser esse. O de deixar nas mãos de alguém.
Ontem, teve a entrevista do Bolsonaro no Jornal Nacional. Não a assisti (ainda) toda. Mas reparei no uso continuado do mesmo artifício. Uma espécie de artimanha para tentar nos convencer a dar algo a alguém e deixar isso com essa pessoa. Pois é. Essa artimanha é também comum em pessoas de vendas. Deixa comigo.
Isso é no fundo messianismo. Uma forma de abandonar a si mesmo nas mãos de outro alguém e de confiar em que o outro - o outro - é que resolverá o TEU problema. Isso é muito perigoso, claro, mas também é uma forma de a gente se convencer de que não todo está conosco. Ou seja, saber que Deus é que está no comando. Ocorre que com política não há um Deus ali. O comando é político, e final.
Não à toa Bolsonaro tem Messias em seu nome. Não à toa ele se coloca como uma pessoa distanciada das outras. Não à toa ele se entroniza como escolhido pelo povo. Combina que ele fale como fala. Ele se coloca como alguém em que os outros devem confiar. Deixa comigo.
Uma pena que a política nacional esteja ainda contaminada por esse tipo de discurso. Isso, tanto à direita, quanto à esquerda.
Mesmo com a religião, eu lamento que as falas improvisadas repisem esse tipo de oratória. Pois, embora nós, crentes, saibamos que existe Deus e que precisamos confiar nEle, também temos de nos convencer de que muito está conosco.
Mas em política é verdadeiramente um absurdo que ainda estejamos esperando ou vendendo um messias. Política é feita com instituições, com a sociedade, é feita COM. Não é deixada na mão de alguém.




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