O lado (aparentemente) inofensivo do discurso de ódio
- Rodrigo Contrera
- 9 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de jul. de 2018
Cuidado para não cair em furada

Quando a gente pensa em discurso de ódio, normalmente pensa em discurso de representante de poder ou de maioria contra minorias ou contra populações (ou grupos) historicamente injustiçadas. Esse discurso de ódio parece ser maioria. Não sei. É um discurso que deve ser combatido.
Mas irei aqui abordar outro fenômeno, que é um discurso de ódio mais disfarçado, contra pessoas e grupos de perfil diferenciado, e normalmente feito com um intuito de esclarecimento. Ou seja, um discurso que bota alguém contra a parede com a impressão de que quem o faz está falando em nome de algo de bom tom.
Esse discurso é feito normalmente contra gente que a gente considera menos esclarecida. Discurso de quem optou por não ter religião, por exemplo, contra quem tem religião (independente de quem seja). Esse discurso em especial se utiliza de fake news para ridicularizar quem vai em cultos, independente da religião, da igreja, ou do local em que isso ocorre.
É um discurso que utiliza imagens verdadeiras, muitas vezes, e mesmo situações verdadeiras, mas que com isso generaliza e com isso diz que todo aquele que acredita em algo superior é iludido, babaca ou ignorante. Esse discurso existe também em quem se utiliza de informações falsas (como vassouras ungidas de mil reais) para zombar dos evangélicos como um todo.
Deixo claro aqui que, embora religioso, eu não sou evangélico. Mas tenho vários amigos evangélicos e não tenho nada a falar contra eles, até porque é gente boa, e que por algum acaso me ajudou quando eu estava mais precisando (enquanto os outros davam as costas).
Quando eu vejo esses posts de ódio disfarçado em esclarecimento, normalmente vou atrás do perfil de quem posta e está quase sempre lá algo encomioso a seu próprio respeito (sou uma pessoa em busca de um mundo melhor, ou Brasil te amo, coisas assim). Esses posts fazem crer que quem posta sabe algo mais que aquele que crê não sabe.
Claro que esses posts de ódio disfarçado em esclarecimento aparecem com outros temas, também. Gente de direita comentando en passant sobre hábitos de gente potencialmente de esquerda mas quase sempre de grupos minoritários. Gente tirando sarro de gays, de lésbicas, de pessoas com asperger, etc. Ou seja, gente que até utiliza informações sabidamente falsas (de que o glifosato vai fazer 50% das crianças serem asperger no futuro) para falar mal de gente que tem asperger. Eu tenho asperger, por isso acompanho esse tipo de postagem.
Em todos esses casos, há uma má fé absurda. São discursos de ódio que alguns, sem querer, acabam replicando, até com boas intenções. Porque o que está por detrás de todos esses discursos é um suposto esclarecimento. Ou seja, a ideia de que está se falando sobre isso porque a "gente quer que o mundo seja melhor". Como se uma pessoa normal seja necessariamente alguém melhor que uma pessoa com asperger. Ou como se alguém que não acredita em Deus seja alguém superior a alguém que acredita, por usar melhor a razão, quem sabe.
Bom, é um alerta. Não entre nessa. Eu, de minha parte, basta identificar isso que excluo e bloqueio de minha timeline.




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