"Jesus travesti": Uma declaração que diz querer inclusão de qualquer jeito
- Rodrigo Contrera
- 30 de jul. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 31 de jul. de 2018

O vídeo que recentemente mais chamou a atenção ultimamente, no quesito polarização ideológica - e pode ser até política -, deve ser, quem sabe, aquele em que o artista Johnny Hooker, do qual já havia ouvido falar, puxa um coro dizendo que Jesus é travesti e em que insiste que Jesus seria travesti, sim, diante do olhar absorto de boa parte da plateia, num comício com cara de show em prol da libertação de Lula.
Sou católico praticante, e dou muito valor à minha fé, por diversos motivos, que não cabe explicar aqui. Mas assisti o vídeo e reparei no tom que ele perpassava, assim como nas manifestações de apoio e de repulsa que causou. Pois vi mais os posts de repulsa. Posso entender por que o artista fez o que fez, na medida em que está rolando por aí uma peça que mostra Jesus como travesti. Posso entender sua posição, e sua revolta. Mas precisamos ter um pouco mais de sangue frio nesta nossa análise.
A postura do Johnny, tirando o fato de se referir à peça, é de um significado bem interessante. Jesus seria travesti. Ou seja, tudo o que Jesus estaria passando para todos nós seria algo que a sociedade recusaria, o caráter de travesti. Ou seja, ele quer com isso incluir os travestis numa figura de Jesus que não existiu. Porque ele consideraria que os travestis não são aceitos pelo stablishment comportamental, e portanto que Jesus estaria sendo alijado do lugar deles.
No fundo, então, a posição dele é conservadora. Ou seja, visa incluir pessoas supostamente excluídas numa exposição religiosa que os deixaria de fora. Ok, se isso fosse verdade. Mas, tirando os evangélicos, infelizmente (para eles) não é. Pois frequento a igreja, vou à missa, faço leituras, e vejo homossexuais ali, e nunca vi qualquer discriminação contra eles. Pois na verdade o que o Hooker e seus apoiadores querem é travestir o caráter de Jesus. Querem vesti-lo com suas próprias roupagens. Não querem aceitá-lo como ele foi.
Nesse sentido, eles são deturpadores de uma tradição, e não querem se ater a ela. Na verdade, querem sair por aí para se exibirem de forma a questionar a forma como a tradição conservadora da sociedade vê Jesus. Não bastasse quererem se assumir como crucificados, agora querem cultuar um Jesus que não existiu, ao invés de admitirem para si mesmos que precisam se encaixar na tradição para existir. Isso, se quiserem mesmo se aceitar como crentes de determinadas igrejas. Não nego que se se encaixarem trarão para dentro de suas mentes e casas conflitos tremendos. Mas é o preço a pagar.
Ocorre que não querem pagar o preço, e querem que os outros aceitem seus comportamentos tal qual existem. Se aceitassem ficar de fora, ok. Mas não, querem ficar dentro. É legítimo que queiram fazer assim, claro. Mas é enviesado.
É como as pessoas que estão amasiadas, ou seja, vivendo juntas, e que querem comungar. Não podem, formalmente. Para poderem fazer isso, têm que receber o sacramento do matrimônio. E precisam fazer cursos, etc e tal. Se não o fizerem, não podem comungar. Pois bem. Curioso como tem gente que insiste em querer romper o acordo. Por outro lado, se a pessoa não quer compromisso sério, então por que quer comungar? Quase por uma insistência beirando o patológico. Não seria melhor se a pessoa assumisse a sua situação, fizesse o devido, etc. e tal? Pois bem, há quem faça isso. Há quem não queira assumir casamento. Há quem queira ter um comportamento mais desregrado. Algo de errado com isso? Não, nada. São opções. O que aparece aqui é que a pessoa assume comportamentos e não assume o preço a pagar.
Claro que tudo isso reacendeu mais uma discussão sobre intolerância, até porque Hooker aparece agora como fazendo parte do Criança Esperança, apenas um ganha pão a mais da Globo, no fundo (que está mal das pernas). Religiosos postam mensagens contra o programa, contra o sujeito, etc. Curioso que todo mundo nessa discussão queira fazer parte, ser incluído, e que ninguém se assuma como é: afinal, um transgressor. É pedir pouco? Nesta época politicamente correta, parece.




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