Jair Bolsonaro, o candidato do ressentimento
- Rodrigo Contrera
- 25 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Ontem, cortei o cabelo. Cheguei lá no meio da tarde e os dois irmãos que possuem o salão estavam conversando sobre política. No caso, as eleições. Havia quatro pessoas - menos eu - na sala. Um rapaz jovem, chamado Igor, os dois irmãos e outro sujeito, cujo nome não foi pronunciado. Este rapaz estava em fase final de corte, bem rente, e havia chegado de moto. Não era muito fácil de caracterizar, mas era bastante forte. O Igor parecia estudante ou empregado da área de serviços.
O irmão do Alcides puxava o coro. Dizia que para ele Alckmin era a melhor opção. Igor dizia que tudo era igual, que todos eram ladrões e filhos da puta. O Alcides não parecia dizer suas preferências. O rapaz da moto estava mais ou menos quieto. Eu havia chegado naquele instante e comecei a falar sobre o que achava do panorama. O sujeito da moto ouvia, apenas. Falei os pontos positivos e negativos dos candidatos e esperei até o Alcides me chamar para cortar meu cabelo.
Falamos sobre todos os candidatos. O irmão do Alcides ouvia atento e percebia os pontos positivos de sua opção. Igor me ouvia e começava a refletir mais sobre suas opções de não votar nem apoiar ninguém. O Alcides provocava e me perguntava sobre um ou outro candidato. Eu respondia. O rapaz da moto ficava quieto. O tempo passou e o corte do meu cabelo já estava no fim quando o rapaz se levantou (havia terminado o seu corte) e disse, pura e simplesmente, meio que zoando, 17 (Jair Bolsonaro).
Percebi então que aquele rapaz não parecia estar à vontade para argumentar. Ele, embora ouvisse quieto os argumentos, não retrucava. Mas ele parecia convicto de sua posição. Era o tipo de sujeito que em eleições passadas talvez não tivesse candidato, disputado na última hora por todos. Um sujeito parecia de alguma forma ressentido por isso. Como se não tivesse lugar no mundo político genérico, mas que agora tivesse realmente candidato. Um sujeito não melhor nem pior do que ninguém, claro.
No fim da conversa, o Igor e os irmãos me pediram meu site, e eu dei (este). O rapaz da moto foi embora, retrucando ainda 17. Ele parecia sentir uma certa felicidade em dizer o número, assim, pura e simplesmente. Ele não tinha argumentos, não retrucava, não dizia se sim ou se não para o que eu dizia. Nem se prendia a isso. Somente retrucava o número e ia embora, com o cabelo cortado. O eleitor do Bolsonaro parece mesmo meio assim.




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