Falta isenção e ponderação
- Rodrigo Contrera
- 9 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
É preciso pensar e parar - ao menos um pouco mais.

Eu havia ido a um evento na igreja este domingo, e depois participei da missa das 19h. Por isso, não acompanhei em primeira mão os últimos acontecimentos relativos à soltura de Lula por um desembargador do TRF-4, a oposição de seus próprios colegas, e sua manutenção na prisão.
Mas fiquei surpreso diante da quantidade de comentários em minha timeline, assim como da virulência dos comentários, seja a favor ou contra o que aconteceu. Tive que deixar de seguir diversos perfis, assim como me acostumar com o fato de que surgiam fatos a todo momento. Por isso, era impossível me posicionar a respeito. O clima estava quente demais.
Questiona-se que o acirramento das vontades políticas deve estar acontecendo, neste momento histórico, em função das pós-verdades, do crescimento (muitas vezes ilegítimo) de movimentos de direita em todo o mundo, do esgotamento do discurso tradicional (e alternativo) da esquerda, etc. Essas explicações são mais de ordem política.
Mas diria que a questão parece ser outra. Os assuntos vêm sendo discutidos o tempo todo, por todos, em diversos meios sociais. Os interesses nessa medida (que existiam mas que agora são mais públicos do que nunca) surgem o tempo todo representados por noticiários contraditórios, na melhor das hipóteses. Sempre surge uma nova informação, uma nova forma de entendimento, uma nova explicação.
As pessoas também estão com posturas mais radicais a respeito do que acontece. Não têm muito medo de exporem o que pensam, e o que pensam em geral é o que sentem. Replicam vídeos com ênfase explicativa ou meramente difamatória sem o menor medo. Expõem suas posições em comentários, e tão logo fazem isso surgem aqueles que não gostam e que as espinafram.
Nesse contexto todo, falta espaço para isenção e ponderação. Quase não vemos posts em que o autor busca sopesar os acontecimentos. A isenção virou matéria-prima rara, e geralmente morre no meio do bafafá de gente gritando. Quem conhece política em espaços reduzidos, sabe que esse tipo de atitude ocorre no mundo real, não virtual, sempre que os ânimos estão mais acirrados, e quando o embate é claro.
O maior problema surge, creio, porque, além de se perder no meio do barulho, a ponderação, quando surge, sempre se defronta com fatos novos. Não parece haver calma suficiente para se ter uma impressão clara a respeito do que acontece. Tudo vira barulho. E cada um se entrincheira ainda mais do que no começo da discussão.




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