Começaram as campanhas. E eu com isso?
- Rodrigo Contrera
- 16 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Existem diversas formas de se confirmar o desinteresse dos brasileiros pela política. Não venham me dizer que as redes sociais mudaram isso. Pois não é verdade: interessar-se pela política é diferente de interessar-se por uma reafirmação individual de valores. A política, contudo, não é mensurada por valores, apenas. Mas por participação real, voto em situações chave, participação em movimentações sociais, defesa de bandeiras, etc.
Se formos ser bem conservadores, nada mudou muito desde que em 2013 o Brasil entrou em polvorosa por manifestações de rua, que se espalharam a partir de manifestações mais localizadas. O que houve sim foi um debate intenso sobre dois tipos de visões da sociedade: uma, mais conservadora, aferrada a lemas da direita, como liberdade de expressão, revisionismo histórico, etc, e outra, menos conservadora, aferrada a questões de classe e de minorias. As pessoas foram meio que obrigadas a escolher o seu lugar no espectro.
Ocorre que a política não é feita necessariamente de abstrações. Ela permanece no panorama porque é defendida por pessoas e grupos, e porque todos eles defendem interesses definidos. Independente de darmos maior ou menor importância às questões de classe, a política deixa claro que se vota naquele que a gente quer ser, naquele que a gente quer seguir, naquele com que a gente se identifica e naquele que defende nossos interesses contrariamente a gente que a gente odeia ou não considera apta a governar o todo.
Tudo fica claro quando a gente aborda o microcosmo político, aquelas decisões coletivas que muitos de nós quer evitar assumir. Quando olhamos para nossa vizinhança, para nosso município, para nosso condomínio. Fui síndico por três anos e conselheiro por seis, e sei que quando a questão é um orçamento para o todo as pessoas em geral fogem e evitam se posicionar. Poucas também querem participar. Muitas das que participam se sujam no processo e precisam fugir quando o desfalque é percebido. Mas, nas pessoas que participam, os valores possuem importância. Normalmente dá para perceber quem se percebe como realizador, como propiciador de soluções técnicas, como político.
Meu conselho na escolha dos políticos a receberem o voto é perceber o geral, como o indivíduo é com respeito a nosso perfil particular e se ele de fato dialoga com a nossa forma de ver o mundo. Assim sendo, escapamos das estatísticas e podemos votar com um pouco mais de integridade e caráter. Não considero que o voto seja necessariamente uma arma, mas ao contrário que ele é uma afirmação de vontade. Muito embora não tenha visto todos os candidatos em entrevistas na tv, já sei qual é o meu. Foi uma decisão maturada, pensada, com base num cálculo racional do Brasil de que precisamos, com as negociações que precisam ser feitas.




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