Brasília: Em puteiro a gente precisa logo escolher o lado do balcão
- Rodrigo Contrera
- 16 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Cuidado com você mesmo. Talvez seu preço seja mais baixo do que imagina.

Na década de 90, conheci algo de Brasília. Fui numa caravana, de ônibus, com estudantes de um curso de Estratégia. Visitamos o Ministério das Relações Exteriores e a Abin. Entramos na Câmara, no Senado, e nas bibliotecas.
Na hora percebi que aquele lugar era um ambiente fechado. Um lugar para quem era aceito, ou admitido, e que ali rolavam negociatas, na maior parte do tempo. Um lugar de lobby. Não me deixei afetar por isso. Entendi.
Quando fomos ao centro comercial da cidade, percebi que havia um ar de putaria ao redor de todo o ambiente. Percebi que a grana que sobrava restava para elas, ou para quem quisesse simplesmente se vender. Uma nojeira só.
Por isso, não me iludo com esses sujeitos que bancam os comentaristas. Sei que eles estão mancomunados. Que são intrusos aceitos porque fazem o jogo do poder. Que sua aparência de irrelevância expressa claramente o que são.
Por isso, quando leio comentários sobre política advindos de Brasília (assumidos com pomposidade, quase sempre), encaro tudo com hesitação, até desconfiança ou ojeriza. Por outro lado, aqueles que ainda lutam normalmente assumem um discurso moralista que me dá um certo nojo.
Até que esses sujeitos têm razão, mas vê-los é a meu ver como encarar padres tentando converter num puteiro do centro de São Paulo. Patético. Até porque sei que se mantêm como estão simplesmente porque ainda não foram comprados. Ainda não se chegou ao preço justo, em suma.
Não estranho quando ex-colegas que navegaram naqueles mares se mostram dispostos a fazer o jogo sujo, ficando ricos no processo. Não estranho e nem os questiono, em suma. A gente percebe o que são no processo. E geralmente não me engano. Que eu saiba, nunca me enganei.
Não creiam que do lado da esquerda seja diferente. Não é. Quem sabe isso explique porque hoje é tão difícil encontrar gente em que possamos confiar, de certa isenção, mais comedida. Somente lá em Brasília certos papos não convencem. E o povo é para ser mantido fora, sempre. Ele não importa.
Quem sabe por isso os parlamentos de países latino-americanos hispânicos tenham me causado algo de maior impressão. Pois, por algum motivo que desconheço, ao que parece nesses lugares algo da soberania popular parece se manter com maior compostura.
Em Brasília, não.




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