Bolsonaro: uma trilha já bem conhecida
- Rodrigo Contrera
- 1 de ago. de 2018
- 1 min de leitura

Num determinado momento da entrevista do candidato à presidência, deputado Jair Bolsonaro, à bancada de entrevistadores do Roda Viva, uma jornalista questionou se ele é de fato um candidato que acredita na democracia. Sim, disse ele.
Por vários outros momentos, ficava bastante claro o seu caráter autoritário, mas tirando um ou outro caso ele se safou de ser considerado ditador. A entrevista correu bem, e ele no final das contas saiu ganhando, na minha opinião.
Mas o fantasma do autoritarismo e do caráter antidemocrático de seu eventual governo fica bastante patente, quase o tempo todo. Seja por suas posições inarredáveis com respeito a assuntos até então tidos como consenso, seja pelo seu jeito arredio quanto a negociação em questões mais polêmicas.
A grande dúvida que permanece no ar é: será ele verdadeiramente democrático? Bom, sou ator, sou bastante sensível a falar fora do lugar, e lhes digo: sinceramente, NÃO. Digo-lhes isso por um terceiro sentido, que me faz perceber coisas que as pessoas têm dificuldade de ver. Por exemplo, quando vi que Bolsonaro não consegue fazer articulações com muitos fatos encavalados. Ou quando se sente à vontade com suas diatribes, porque elas o fazem sentir melhor a si mesmo. Sabe aquele negócio: sinto mais sangue nas bolas. De mau gosto, mas bem isso.
Pois bem, sabemos em que consiste o fascismo: em usar a democracia para galgar degraus rumo a regimes autoritários e ditatoriais. Não é à toa então que Bolsonaro está mais bonzinho, pois isso faz parte do figurino. Já aconteceu várias vezes. Ele no caso apenas está seguindo uma trilha já conhecida.
Quem viver, verá.




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