Aquele negócio de negócios a portas fechadas
- Rodrigo Contrera
- 9 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Porque a tentação está à porta

O recente escândalo envolvendo o prefeito Crivella com pastores que estariam sendo beneficiados por lugares na fila de operação médica, assim como a negociação de dívidas de IPTU mostram como funciona a política a boca pequena.
Sei muito bem como isso acontece, vivendo num município de médio porte (Taboão da Serra), e tendo lidado com o setor de cultura por alguns meses. Percebi claramente como as pequenas conexões fazem a diferença. Percebi como ali a política é decidida. Tudo jogo de influência.
Mas isso é tradicional. A questão é mais quando tudo se torna padrão, quando o benefício a grupos se torna algo que inviabiliza a política no seu âmbito definido. Quando os grupos tomam conta de tudo, e quando o jogo mafioso é aquilo que determina o resultado. É mais ou menos a isso que o PSOL se refere quando entrou em ação no MP contra o prefeito.
Porém, para quem lida com política, muitas vezes é difícil escapar desse jogo de influência. Basta termos um pequeno cargo - como o de síndico -, para as pessoas nos tratarem de forma diferenciada, para as amizades começarem a sugerir nomes, para os próprios familiares fazerem o seu jogo pequeno, mas muitas vezes relevante. Até isso se tornar incontrolável é apenas um passo.
Quando concentramos em nós o poder executivo e o poder de legislar, tudo fica ainda mais complicado. As influências extravasam os ambientes, e chegam a afetar mesmo nossas crenças ou nossas posturas em ambientes como o religioso. Nada se torna mais a mesma coisa. Tudo assume um caráter mais frio, mais calculista, e portanto mais escorregadio.
Nesta última década, a maioria das novas lideranças na Câmara e nos Estados surgiu de movimentos religiosos de certa forma fundamentalistas. Nesse sentido, a influência desses representantes em aspectos como costumes tem se tornado cada vez maior e deletéria para os movimentos ditos progressistas. Até isso contaminar as ações no âmbito político era apenas questão de tempo.
Neste momento, o que está em jogo, nessas denúncias contra o prefeito Crivella, é a forma como as instituições lidarão com as influências políticas e de costumes na política instituticional. Na própria condução dos negócios. Se as instituições deixarem tudo por isso mesmo, tudo tenderá a piorar. A caça às bruxas se tornará mais acirrada, e serão as instituições que perderão credibilidade e sustentação.




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