Analistas políticos brasileiros: por que são tão ruins?
- Rodrigo Contrera
- 18 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Estou vendo o debate presidencial na Rede TV e de repente caiu-me em mãos uma entrevista do Reinaldo Azevedo com o Geraldo Alckmin. O Reinaldo acompanho de leve há alguns anos, e não me agrada especialmente - mas também não me desagrada tanto assim. Seja como for, na entrevista o nível ao menos aparece como um pouco melhor. Mas reparei num aspecto que me trouxe lembranças - não tão boas assim. E considero que elas me permitem comentar algo sobre o parco nível de nossos comentaristas ou chamados analistas políticos.
Num determinado ponto da entrevista, Alckmin diz que falará algo em primeira mão. Azevedo brinca com isso, dizendo que lá vem furo, e anota o que o candidato disse. Não vem aqui muito ao caso o tema. Importa que o Azevedo foi pego sem saber o que Alckmin iria dizer. E que brincou com isso. Lembro-me muito bem que quando trabalhava com temas técnicos isso acontecia o tempo todo com minha chefe. Ela disfarçava a ignorância com uma brincadeira, e anotava tudo meio que às escondidas, tirando proveito logo depois.
Pois bem. Isso assim acontece porque os analistas políticos, em geral, no Brasil, são sumamente ignorantes. Não sabem em que consistem os assuntos, não sabem destrinchar argumentos, não sabem diferenciar o que é papo furado de realmente conversa séria, e com isso deixam o entrevistado ditar o rumo da conversa, da entrevista e do programa. Mal os analistas leram os clássicos, não acompanham o rumo dos acontecimentos em profundidade, e se escudam em seus nomes para de vez em quando soltarem diatribes para fingirem força. Muitas vezes até erram o nome das pessoas em programas nacionais. São ignorantes porque para eles é mais conveniente assim.
Por isso, quando vocês assistem debates e especialmente entrevistas, não culpem tanto os candidatos - que muitas vezes são assim tão ruins quanto aparecem. O problema é algo maior. É a estrutura, sim, no caso dos debates; é também a animosidade em busca de votos, também. Mas é principalmente o fato de que os jornalistas não possuem estrutura para retrucar com conhecimento de causa. Daí que o que resta muitas vezes é a palavra final do entrevistado, que não precisa ter boa intenção, como fica bem claro. Ou seja, ele pode falar o que quer com base em fins, sem se preocupar com o teor da verdade. Já o jornalista, deveria se preocupar, claro. Mas ele não o faz, porque isso normalmente, se levado ao pé da risca, pode lhe trazer problemas. E ele sabe disso muito bem. É quando o conhecimento é perigoso para o próprio profissional. Não à toa quem geralmente brilha não se destaca por inteligência - mas por esperteza.




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