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Algo mais sobre a incompetência, ignorância e preguiça do jornalismo político

  • Foto do escritor: Rodrigo Contrera
    Rodrigo Contrera
  • 18 de ago. de 2018
  • 3 min de leitura

Jornalismo é algo que supostamente deve vender, gerar comentários, agitar o ambiente. Não se supõe, para quem é do ramo, ao menos facilmente, um jornalismo que seja discreto, comedido, ponderado, nem nada do tipo. Jornalista, mesmo quando nega, sempre gosta de aparecer e de dar destaque àquilo que aparece, mesmo que seja de somenos importância. Porque no fundo jornalista se considera parte da claque, deixando o ramo para se tornar assessor de imprensa ou influenciador, sendo bem pago por isso. Claro que sem qualquer ideal.


No jornalismo político, isso não é diferente. Tanto que sempre que vemos algum jornalista brilhando no ramo não tarde o vemos sendo íntimo de fontes, sendo conhecido e tratando as autoridades por você, trocando mensagens por whatsapp e pavimentando sua carreira para os próximos anos. Até porque todos sabemos que a máquina sempre quer carne nova. As exceções existem, mas são relativamente poucas. Por isso, o jornalista político, quando diante da informação mais relevante, ou da outra que cause mais comoção, em geral prefere esta última, mesmo que ele saiba que ela é, como informação, irrelevante para o debate.


Não quero dizer que todo jornalista político seja incompetente, ignorante e/ou preguiçoso. Diria na verdade que a grande maioria dos jornalistas é um pouco isso, sim, mas que no geral é esforçado/a, e tenta dirimir seus problemas. O que comento é mais uma tendência, uma espécie de regra do jogo que privilegia a exposição, o barulho, à pesquisa séria, quieta, que leva informação a quem mais precisa. Basta notar por exemplo o destino a que é relegado o jornalismo de serviços, sempre considerado menor, quando ele resolve problemas de quem está precisando de ajuda. Normalmente os jornalistas que se destacam em serviços não se tornam os bambambam nas redações, muito pelo contrário.


Essa tendência fica clara pela forma como os jornais, os jornalistas e as grandes redes, seja lá de qual tendência política for, tratam eventos relevantes. Como o contexto geral, ou as mensagens importantes, ficam para trás quando comparados/as a questões menores ou de maior ibope potencial. Basta também ver os comentários dos jornalistas mais atentos, sempre restritos a aspectos que conduzem a polêmicas, ao invés de a esclarecimento público. O mais recente assunto com respeito ao debate na RedeTV! diz respeito ao enfrentamento entre Marina e Bolsonaro.


Vi o momento, e foi interessante. Mas nada que o fizesse merecer tantos comentários de gente pró-Marina, exaltando sua coragem, etc. Nada disso. Por que o jornalista prefere comentar isso? Porque é mais fácil. Porque fica mais claro o embate entre suposto bem e suposto mal, porque o dualismo torna mais fácil vender o assunto, porque qualquer um entende o que acontece e tem posição a respeito. Já assuntos como reforma da Previdência, por exemplo, ficam perdidos no meio do barulho. Não importam porque são mais difíceis de entender, de digerir e de vender. No caso do embate entre Marina e Bolsonaro, é mais fácil argumentar. Ou falar bobagem, que tudo bem. No caso da reforma, isso não é tão simples.


O maior problema nessa tendência do jornalismo e dos jornalistas é que, nesta época em que a atenção é capturada por qualquer coisa, o diversionismo nos impede de reparar naquilo que mais importa, que é sério, que é candente. E jornalismo que fica preso a coisas menores faz então um desserviço de alto grau, por distrair a pessoa que está assistindo e apenas repercutir o aspecto mais irrelevante. Por isso é que se torna imperativo saber escolher. E entender que jornalista que faz o jogo da galera é geralmente aquele que consegue maior destaque, sim - mas que por esse mesmo motivo tem de ser levado menos em conta por nós.


 
 
 

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