Alckmin x Bolsonaro: uma breve análise comparativa dos vídeos da propaganda eleitoral
- Rodrigo Contrera
- 4 de set. de 2018
- 2 min de leitura

Dá para perceber a recessão em que vivemos nos próprios vídeos da campanha eleitoral. Chupados ou inspirados de vídeos estrangeiros, sem recursos quase, apostando em mensagens bem óbvias, etc. Isso fica claro nos vídeos de Alckmin e Bolsonaro, que se opõem diametralmente. Isso porque o tucano só vê forma de crescer se opondo ao líder e tentando roubar parte dos que o apoiam ou tendem a apoiá-lo.
Bolsonaro é um sujeito de diversas formas limitado. Mas não me cabe aqui entrar nesse aspecto de sua candidatura. Ele, em suas limitações, consegue milagres. Tem uma mensagem fechada, que pode ser repetida que nem mantra pelos seus partidários - e que mesmo seus opositores conseguem decorar. O vídeo é isso, sob o tom triunfalista de um chefe de batalhão. Ele se prende a isso, e não muda em nada sua disposição de discurso o tempo todo. O discurso é repetido por escrito, e as cores do patriotismo promovem (ou tentam) uma união dos que já se sabem do lado dele. Aparenta coragem.
Alckmin, num vídeo inspirado de forma absurdamente literal numa propaganda ao que parece antibritânica antiarmamentos, não aparece. Tudo aparece num crescendo de expectativas até recair numa mocinha negra que, se espera, acabaria morta por um discurso de ódio identificado a Bolsonaro. O vídeo aglutina os que se opõem ao discurso do ex-militar, sem que seja necessário aqui entrar no mérito quanto a se ele é racista, homofóbico, armamentista, etc. Alckmin deixa claro quem é seu opositor: não o PT, não os outros que disputam mensagem com ele, mas Bolsonaro. Alckmin nisso aposta no segundo turno com ele.
Mas há algo estranho aqui. Alckmin aceita que sua candidatura, sua própria imagem, é fraca. Não aparece e mostra mais o opositor do que a ele mesmo. Sabedor de sua fraqueza intrínseca, não diz a que veio. Sentimos que o tempo todo Bolsonaro está presente. É como vermos uma ex-esposa procurando com o olhar o ex-marido para se opor a ele, para mostrar sua própria presença. Nesse esforço, Alckmin diz mais sobre o que quer do que expressa o que o eleitorado pode querer. É um campeão das rejeições - o primeiro - com um que segue bem atrás. Isso, num panorama em que Lula, preso, é ainda querido por 40% ou mais, nas manifestações espontâneas.
Nesse contexto, é bastante bom perceber que em Bolsonaro o PT está como aquilo que não se quer. Ele de certa forma cita Lula, mas insiste em dizer não. Ou seja, capitaliza tudo o que aconteceu nos últimos anos para si mesmo. Diz isso sem vergonha, de forma chapada, e com isso também busca congregar. Claro, porque o cenário é de divisão, cada um chutando para um lado. Ambos buscam o mesmo. Um, já tendo conquistado muito, e outro fazendo o jogo de sempre - tendo a antieleição contra ele. Claro que Alckmin terá que fazer algo para se distanciar do mesmo. Apostar naqueles que não lêem jornal e que ainda podem apostar em mensagem que dá a mesma sensação de todo o sempre.




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