A política dividida, com terminologias que não se comunicam
- Rodrigo Contrera
- 14 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Desde o século XX, a política está dividida bastante simploriamente em direita e esquerda. Não que essa divisão não existisse antes, mas o fato é que com a Revolução de Outubro de 1917 o mundo parece ter se dividido mais facilmente entre nós e eles. As tradições de conhecimento também se bifurcaram, e as terminologias foram junto com elas. Sempre que surge algum evento que divide as sociedades mais fortemente em suas classes, isso se torna também mais claro. Irei comentar isso com uma intenção bastante clara: mostrar que as intenções de criar um termo médio se tornam mais rarefeitas e de menor sucesso. Não colam. As pessoas parecem obrigadas a escolher um dos lados.
Isso ocorre com os eventos mais simples e simplórios. No caso do impeachment da presidente Dilma, isso fica claro em primeiro lugar no termo usado para defini-lo: impeachment para alguns, golpe para outros. Não há muito espaço para termos médios. Pois ou você deixa claro que considera o que aconteceu legítimo, ou não.
Mas isso se torna também claro ao definir pessoas e coisas. Um negro pode ser considerado cidadão para uns, enquanto para outros pode ser considerado classe oprimida. Uma mulher, a mesma coisa. Tudo se torna imediatamente difícil de coadunar quando uma pessoa de direita encontra uma de esquerda: elas não concordam sequer na forma de denominar as mesmas coisas. Por outro lado, as clivagens usadas para definir a realidade se tornam também presas às denominações.
No caso de eventos midiáticos, isso se torna ainda mais complicado. Pois, com a disseminação das informações por muitos meios, surgiram notícias falsas, as fake news. Mas não é consensual que estas tenham uma característica única: não possuem. São, para o pessoal da direita, consideradas produtos da sociedade, legítimos, que expressam uma leitura distanciada da da mídia. Não são necessariamente notícias falsas. E aqueles que se propõem a discutir o assunto, e definir as fake news, são atacados por parcialidade. Justamente aquilo que se dispunham a evitar.
Só estou expressando uma realidade. Um fato, sobre o qual valeria a pena refletir. Pois, afinal de contas, em que mundo vivemos? Num mesmo para todos, ou em mundos distanciados, uns dos outros, por suprema incapacidade de diálogo?




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