A insolência da mídia e os insolentes na patuleia
- Rodrigo Contrera
- 30 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Fujo dos debates que pululam nas redes sociais depois de entrevistas ou debates. Fujo porque não me dizem nada em si, e quando dizem o fazem mais daqueles que postam.
Mas reparo na realidade que me circunda. Vejo a pobreza crescer, as lanchonetes minguarem, os preços subirem, as pessoas se mudarem, as pessoas acirrarem os ânimos ao disputarem vagas de emprego, e os crentes apostarem em mandingas, pagarem por leitores do futuro ou frequentarem mais as igrejas.
Nesse sentido, tenho percebido a proliferação - especialmente em grupos de facebook de periferias - de supostos videntes e o aumento na divulgação de negociatas de empréstimos com parcelas pagas com direitos previdenciários.
No primeiro caso, as lives dos supostos videntes são bem concorridas. Elas aparecem de repente, na timeline, compartilhadas por gente que parece ganhar de alguma forma com isso. No segundo caso, os pontos de ônibus aparecem vez ou outra apinhados de panfletos, que nos chamam a atenção pela agressividade.
Em todos esses casos (dois), fica uma sensação de drama e de urgência. Neste nosso mundo conectado, é como se houvesse sempre alguém pronto a cair em alguma conversa, ou disposto a fazer um negócio qualquer para evitar algo pior. Isso quando a pessoa consegue negociar algo, ainda.
É perceptível, sob esse ponto de vista, como a política parece não fazer jus à realidade. Os debates parecem excessivamente cordiais, por um lado. E por outro lado as saídas parecem muito abstratas, do âmbito quase da Filosofia. Tudo porque alguns aspectos ajudam a convencer alguém a tomar algum partido. Enquanto isso, as pessoas isoladas mais desguarnecidas vivem tentando se virar, apenas.
Não é à toa que os ânimos para muitos puxam em direção aos extremos. Pois a esses sujeitos que dormem ao relento, quase ninguém se refere diretamente. E a gente pode ver que entre os peixinhos e os tubarões o ar de escassez predomina sempre. Não é à toa que todos consideram o peixe maior - o Estado - como o maior vilão. Isso porque ele está sempre descansando em paz, sem se preocupar com o dia de amanhã.




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