A dificuldade de se conceber um projeto de Nação
- Rodrigo Contrera
- 23 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Poucas vezes na história recente, está mais do que claro o panorama econômico, social e comportamental que domina o país. Todos estão de acordo com que o Estado está enorme, com que ele assume comportamentos distanciados da situação do todo, com que o receituário liberal não tem dado certo (ao menos na medida necessária), com que algumas reformas são necessárias, com que o panorama político promete ficar ainda mais disperso - e portanto com que o novo governo estará em situação no mínimo delicada.
Apesar disso, as propostas que os candidatos mais sérios na disputa pela Presidência parecem não condizer com uma ideia de projeto de Nação. Marina permanece em generalidades que irritam muito, Ciro atém-se quase que apenas à ideia de que o novo governante terá de ser um bom gestor, Boulos insiste em repisar uma noção de política que fica presa a ideias supostamente atraentes (porque falsas), Haddad insiste em repisar uma ideia de governo que parece retirada de contos de fadas. Nesse sentido, todos como que não sabem bem a que se referem quando falam de Brasil.
Eu ia abordar isso em outro artigo, mas nesse contexto um cadáver ainda não enterrado - e que todos dizem desprezar -, qual seja, o atual governo, se deu bastante bem em políticas reparatórias de uma situação que PT não parece assumir para si - o calamitoso segundo governo Dilma. Concordo com o Reinaldo Azevedo, da Band, quando diz que, tirando diversos aspectos graves, o governo Temer fez o seu papel que lhe cabia. Eu detesto o mordomo, confesso, especialmente pelos horrores que fez para comprar a própria pele. Mas politica a gente sempre tem que avaliar com uma lente mais fria. Não nego que Temer evitou, sim, o pior. E que aqueles que querem dele se descolar são hipócritas.
Nesse prisma, Alckmin e Meirelles assumem um comportamento mais coetâneo com sua (deles) forma de encarar a política e a economia. Eles, por mais estranhos ou errados que possam estar, assumem um ponto de vista liberal até o fim, assim como gerencial, e nesse sentido deixam claro que não assumem para si o papel de garantidores de um país que faça jus ao seu nome. São personagens delimitados por uma mediocridade de destino, e naturalmente pouco chamam a atenção. Pois hoje todos querem ir para segundo turno. Justamente contra aquele que nem conseguiria ser sequer síndico de seu prediozinho de classe média - o Bozo. Triste.




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