A candidatura de Lula: um factóide ou é para valer?
- Rodrigo Contrera
- 15 de ago. de 2018
- 2 min de leitura

Hoje o PT está divulgando para todo o Brasil a candidatura à presidência de Lula. As notícias que saem aqui e acolá dão sinais de que não vai adiantar. De que a candidatura está fadada ao fracasso ou ao fiasco e que o PT morrerá na praia mais uma vez.
Assisti ao programa que o PT lançou nas redes sociais no mesmo dia do debate da Band para tirar essa dúvida: é jogo de cena, ou é algo realmente para valer (e não meramente um erro de cálculo da legenda)?
Pude reparar que o programa do PT teve, em sua duração toda, mais propostas sobre o país que o debate inteiro da Band, em que os candidatos bateram cabeça, ora falando as mesmas coisas, ou bobagens que ficaram para a história dos memes.
Claro que em nenhum momento o PT fez um mea culpa, assumindo erros na gestão da presidente Dilma. Claro que em nenhum momento se falou da corrupção, ao menos da Lava Jato e outros escândalos de que a gestão petista foi repleta.
Tudo foi meio que um apanágio de frases e ditos em nome de uma gestão dita revolucionária de Lula e do caráter messiânico do líder, que restou incólume após tudo o que aconteceu. Foi tão encomiástico que deu nos nervos. Porém, não se pode negar que Haddad, Manuela (oportunista), Gabrielli e Gleici falaram bastante coisa com coisa.
Pois somente após ver esse programa é que fica mais do que claro que os candidatos do debate da Band simplesmente representam a mesma coisa, entre eles, e não têm nada a oferecer, a não ser a derrocada do Brasil a um neoliberalismo rasteiro.
Daí fica a pergunta: o PT faz certo ou não ao defender a candidatura do líder preso? Pois bem. Ficou mais do que claro que o impeachment de Dilma foi um golpe parlamentaar. Fica mais do que claro que alguma parte do poder Judiciário se arvora tribunal eleitoral. Fica mais do que claro que vivemos num regime de exceção. Nesse sentido, o PT se coloca como tal e com isso marca presença. Diz a que veio. E portanto deve impor Lula como candidato.
Pouco importa que haja nisso tudo um caráter messiânico patente. Pouco importa que o PT faça isso porque Lula está na frente nas pesquisas. Pouco importa que ele corra o risco de se isolar no ambiente político e eleitoral. É uma postura adequada. Ao menos a meu ver.
Não se sabe, é claro, a que ponto isso pode levar. O Boulos chega atualmente a imitar a voz do Lula, e seria - tirando o Ciro - a única pessoa a mandar um indulto para soltar Lula. Os outros simplesmente se beneficiam desse vácuo. Nesse sentido, fica bem claro que existem dois discursos: e que um, o da esquerda, é assumido como inconveniente e até mesmo ilegítimo. Pois é isso o que se quer com a prisão de Lula: calá-lo, se não apenas agora, para sempre.




Comentários