7 de setembro
- Rodrigo Contrera
- 7 de set. de 2018
- 2 min de leitura

Nasci sob a égide de uma democracia (a chilena, que iria estudar depois) e cresci boa parte da infância sob uma ditadura (a pinochetista). Nesse período, convivi com f-5s rondando a cordilheira, assim como relembrando o golpe, em 11 de setembro de 1973. Estudei um pouco em colégio alemão e depois em escola estadual. Às segundas, cantávamos o hino nacional. Acostumei-me a entronizar os militares. Sabia nada, mas era uma criança, apenas.
As datas comemorativas de independência, etc. sempre foram importantes para mim. Mas nunca consegui comemorá-las como queria. Sentia o nacionalismo e o patriotismo algo deslocado. Isso aumentou quando fiz jornalismo, pois o ponto de vista crítico impedia que assumisse ideais cívicos (ainda por cima, militares) facilmente para mim. Mas o tempo avançou e aos poucos fui entendendo que sempre curti o patriotismo. Insisto: curti, ou seja, gostava.
Estamos em 7 de setembro, ontem um candidato à presidência levou uma facada por um sujeito estranho, e agora todo mundo comenta. Retirei muitos supostos amigos do facebook por simplesmente serem pessoas irresponsáveis, não se rendendo às evidências. O regime democrático foi colocado em risco por meio desse atentado, que para mim é um atentado político, e que portanto deve ser punido exemplarmente. Mas nem todos pensam como eu. Acham que o aconteceu foi oportunismo, e isso porque não gostam do candidato ferido. Acho isso de uma irresponsabilidade enorme, mas tudo bem, deixo passar. Só não posso conviver na minha timeline com quem simplesmente não enxerga o óbvio.
O dia amanheceu bonito. Estou arrumando as coisas na sala, pois encontrei um pequeno serviço que irá me tirar do sufoco - ao menos isso promete. O dia está quieto, e não ouço quase movimentos de vizinhos - um se mudou. Ouvi algo do Globo News, e não há realmente muita coisa nova no horizonte. Ouvi algo de rock, mas reparei que precisava ouvi músicas de minha adolescência e começo de idade adulta. Estou ouvindo agora. Fico muito feliz com que o Brasil esteja conseguindo passar pela evidência desse atentado com os ânimos pouco exaltados. Que os idiotas estejam sendo colocados em seus lugares, enquanto comemoramos o 7 de setembro.
Vejam, não necessariamente sou a favor do poder do Estado. Não sou nem um pouco intervencionista, muito menos nacionalista no sentido de estatais, etc. Mas considero o Estado uma conquista civilizatória, não necessariamente latino-americana, mas ocidental, e que levou a democracia a novas conquistas e novos dilemas. Foi o que encontramos. Nem considero os Estados latino-americanos tão legítimos, tendo tido babá de origem indígena e conhecido os efeitos da aculturação e do domínio dos povos autóctones (assim como de sua dizimação por doenças). Mas não considero que isso me torne um revoltado contra a ideia de nação, muito ao contrário.
Simplesmente a história anda, e precisamos entender nosso passado para imaginar um futuro melhor. E tudo passa pela nação. Por isso gosto de comemorar festas pátrias. Porque elas são importantes. Porque nos dão a ideia de que não estamos sós. E de que tudo está nas nossas mãos.




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